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Politics Americas

Erika Hilton faz história na eleição do Brasil, e Lula e Flávio Bolsonaro vão ao segundo turno

O primeiro turno de 4 de outubro deu a uma deputada travesti a maior votação que uma mulher já recebeu para a Câmara dos Deputados, enquanto a disputa presidencial vai a um segundo turno em 25 de outubro, praticamente empatado.

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  1. Nenhum candidato a presidente passou de 50% em 4 de outubro, então Flávio Bolsonaro (cerca de 47%) e Lula (cerca de 45%) disputam o segundo turno no domingo, 25 de outubro.

    The Rio Times, 5 out. 2026
  2. As duas deputadas trans eleitas pela primeira vez em 2022 mantiveram suas cadeiras: Erika Hilton em São Paulo, com quase 1,6 milhão de votos, e Duda Salabert em Minas Gerais, com mais de 200 mil.

    Brasil de Fato e Itatiaia, 4 out. 2026
  3. Campanhas esquentam. Se receber ameaças on-line, guarde capturas de tela com datas e registre na polícia; grupos como a ANTRA podem indicar apoio. Não compartilhe dados pessoais de ativistas ou eleitores.

    Orientação TrueQueer

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O Brasil votou no domingo, e a noite trouxe duas manchetes que apontam para direções bem diferentes.

A primeira: Erika Hilton, deputada travesti de São Paulo, foi reeleita com quase 1,6 milhão de votos, a maior votação que uma mulher já recebeu para a Câmara dos Deputados do Brasil. A segunda: a disputa presidencial vai para o segundo turno em 25 de outubro, e neste momento é o senador Flávio Bolsonaro quem está ligeiramente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja o que aconteceu e por que pessoas LGBTQ+ no Brasil estão de olho nas duas histórias.

Um recorde, seis vezes maior

Com a apuração concluída, Hilton (PSOL) teve 1.596.383 votos, informou o Brasil de Fato. Isso a colocou em segundo lugar em todo o país e quebrou o recorde anterior de uma mulher na Câmara: 1.078.666 votos, de Joice Hasselmann em 2018.

Para ter uma ideia: em 2022, na sua primeira disputa para o Congresso, Hilton recebeu 256.903 votos. Em um único mandato, ela multiplicou esse número por mais de seis.

Vale lembrar o caminho até aqui. Em 2020, ela foi eleita vereadora de São Paulo como a mulher mais votada do país. Em 2022, ela e Duda Salabert se tornaram as duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara federal. Hilton hoje preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, segundo o Washington Blade.

Na noite da eleição, ela tirou o foco de si mesma: “Essa vitória não é minha, é coletiva.”

A ameaça que veio junto com o voto

O mesmo dia teve um lado sombrio. No domingo de manhã, enquanto se preparava para votar, Hilton recebeu um e-mail anônimo com ameaça de morte e ofensas transfóbicas, em que o autor dizia conhecer seus dados pessoais e endereço, relatou o Brasil de Fato. A mensagem foi enviada por um serviço que dificulta o rastreamento.

A resposta foi bem no estilo dela. Perto das ameaças que ela e a família recebem com frequência, disse, essa era “só mais uma bobeira no meio do caminho de algum idiota desocupado que não suporta ver o nosso brilho”.

Ela também nomeou o contexto sem rodeios: “O Brasil, de maneira muito triste, ainda segue sendo o primeiro país do mundo que mais mata mulheres como nós.” O monitoramento global confirma: o Brasil registrou mais assassinatos de pessoas trans do que qualquer outro país em 2025, como noticiou a PinkNews em fevereiro.

O resto da cédula arco-íris

Hilton não concorreu sozinha. O projeto de monitoramento VoteLGBT contou um recorde de 529 candidaturas abertamente LGBTQ+ nesta eleição, 109 delas de pessoas trans ou travestis, informou o Washington Blade. Só para a Câmara dos Deputados, as candidaturas passaram de 116 em 2022 para 214, um aumento de 84%, segundo o Projeto #Colabora.

Alguns resultados iniciais:

  • Duda Salabert (PSOL), professora de literatura e ambientalista, foi reeleita em Minas Gerais com mais de 200 mil votos, noticiou a Itatiaia. Em 2022, ela se tornou a primeira deputada federal trans da história do estado, lembra O Tempo.
  • Jean Wyllys, o primeiro homem abertamente gay eleito para o Congresso, que deixou o Brasil em 2019 após ameaças de morte, concorreu novamente pelo PT em São Paulo, mas não foi eleito, com 18.073 votos, segundo o Metrópoles.

Os resultados completos das centenas de outras candidaturas LGBTQ+, das assembleias estaduais ao Senado, ainda estão sendo compilados. Vamos atualizar quando o VoteLGBT publicar seu balanço.

A disputa presidencial: três semanas, dois nomes

Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Lula (PT) 45,16%, informou o The Rio Times. Ninguém chegou a 50%, então haverá segundo turno no domingo, 25 de outubro. O comparecimento foi de 78,92%.

Flávio é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão de mais de 27 anos por seu papel na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, lembrou o Washington Blade. Lula derrotou Jair Bolsonaro em 2022 e agora busca um quarto mandato.

Hilton deixou claro de que lado está: “A nossa vitória só será completa com a reeleição do presidente Lula.”

Por que isso importa

O Brasil é um país de contradições para pessoas queer. Seus tribunais garantiram algumas das proteções mais fortes da América Latina, incluindo decisões recentes sobre cobertura de saúde para pessoas trans, enquanto as ruas continuam perigosas, especialmente para mulheres trans e travestis.

O domingo mostrou os dois lados ao mesmo tempo: uma política travesti recebendo mais votos do que qualquer mulher na história do país, na mesma manhã em que recebeu uma ameaça de morte. As próximas três semanas vão decidir quem governa o país para o qual ela agora ajuda a legislar. Aconteça o que acontecer em 25 de outubro, os 1,6 milhão de votos de Hilton já estão contados.


Fontes: Brasil de Fato; The Rio Times; Washington Blade e sobre a contagem do VoteLGBT; Projeto #Colabora; Itatiaia; O Tempo; Metrópoles; PinkNews. Foto: Ana Soares / Unsplash.